terça-feira, 5 de Janeiro de 2010
PAISAGEM
Percorro esta paisagem com os olhos
e vejo grandes árvores perfiladas contra o vento,
mas o vento é a luz que esvanece nos meus olhos
as árvores que não vejo como vejo ou imagino.
Nos meus olhos há florestas
ervas que se erguem para ser árvores
no seio interior da paisagem,
esta paisagem que eu percorro com os olhos.
É esse o caminho liberto a esvoaçar em bandos de aves
que vêm de longe, donde o vento sopra
o ânimo dum milagre feito mágica
de azuis e verdes no cinzento da minha terra.
inédito
sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010
POESIA VISUAL /EXPERIMENTAL


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Um dos quadros da minha 4ª exposição
de poesia experimental/visual,
a ser inaugurada no dia 17 de Janeiro,
no Páteo das Letras, em Faro.
(vou ter que emoldurar um, dos dois.
Qual era a sua escolha?)
sábado, 26 de Dezembro de 2009
POEMA À MINHA VIDA
um golpe de vento o que eu penso ser um golpe de vento.
Vejo no vaivém das ondas apenas a ligeireza das ondas,
a mesma sensualidade das areias que arrastam o vento
e por ele se deixam arrastar numa profunda comunhão
como a água que cai sobre as águas, sem angústia.
E nunca me arrependo de olhar o azul, fazer um gesto
de vigiar o céu, à procura duma estrela imperturbável
apenas a dizer que está ali, longe, contemplando a terra.
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.em Transparências, ed. AJEA
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sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
POEMA DE NATAL
terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
JARDIM
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Faz-me falta uma janela que dê para o jardim
para que eu possa ver um jardim
quando vou à janela.
Assim fosse a predestinação dos meus olhos.
Assim escusava de levar esta vida
a desejar uma janela
que apenas imagino e vejo
com o jardim abstracto de meus olhos.
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Dez 2009
quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
PEDRA DA PROMISSÃO
Novo e novo e sempre igual
o dia de amanhã
tece fantasmas no écran.
Pode chover dias e dias a fio
como as folhas no Outono,
pode sentir-se o frio das palavras sólidas
como a única certeza do condenado,
podem mesmo aparecer sinais no céu
a dizer que não há nada
que o poeta
atento e absorvido
sonha sonhos e impérios de sonhar
e espera pelo dia prometido.
em Poemas Primeiros (reedição)
sábado, 5 de Dezembro de 2009
sábado, 28 de Novembro de 2009
POEMA AO AMOR
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A colectânea "A Traição de Psiquê" vai ser apresentada na Biblioteca Municipal de Gondomar, no dia 5 de Dezembro, pelas 16 horas, no âmbito de uma tertúlia de poesia do amor e do erotismo, organizada pela ARGO – Associação Artística de Gondomar, entidade promotora do IV Prémio Nacional de Arte Erótica.
O júri de apreciação foi constituído por Henrique Monteiro (professor, poeta), Paulo Melo-Lopes (psicólogo, escritor) e Alzira Cavalheiro (professora, pintora).
Foram apreciados 102 textos de 45 autores tendo sido seleccionados 70 textos de 37 autores. O livro tem cerca de 90 páginas.
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A minha participação foi com o poema que segue, mas, dada a enorme distância, não vou estar presente:
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........."Ich traümte von Lieb’ um Liebe"
........Wilhelm Müller
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....Amor que amei amando o amor
....amor à terra ao mar e à vida
....que só de amor amando, amamos
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....Amor que amei amante .- amor
....amor por ti por tudo e mim
....amor ardor de amor.
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....Amor que ainda amo sem amar
....que a tudo - à terra ao mar e à vida
....amar amando amei de amor.
.Todas as complementares informações sobre o livro, podem ser obtidas aqui
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
O MÁRMORE
O mármore,
o escopro modelar
acariciando as formas ideadas -
a maternidade feita vida
numa pedra.
Sopro de helénicas
indústrias da perfeição
de olhar uma deusa nua
banhando-se
no Éden deste mundo!
Serena descrição do amor
ó grito abrindo a alma
para repensar a utopia
na pureza branca
duma pedra.
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inédito
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
EXERCÍCIO DE LEITURA
Li
nos teus olhos
li
ah... isso li!
Ai, o que eu li
nos teus olhos
Lili!...
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
REPOSIÇÃO
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Uma casa em pedra
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Uma casa em pedra é um lugar onde se fabricam
os utensílios mais fraternos, talvez o lugar próprio
para descobrir a nossa vocação para plantar lírios
à beira das veredas, no caminho interior do lar.
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Nela se redescobre a teimosa mão do poder das cinzas
à lareira, um jarro de água sobre a mesa, o pão amassado
na véspera, ante o alvoroço anónimo das crianças
ao odor das leveduras ainda frescas, transfiguradas.
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Dentro das pedras se erguem as vozes vindas da planície
como se viessem da própria casa, do mais íntimo da terra,
misturando-se o apelo das águas e as narrativas
de animais nocturnos, obscuros, na fronte das montanhas.
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E é daí que se lê a premonição das estrelas circundando
o destino de ervas e bichos que se fundem aos processos
por onde o vento soa, geométrico, um tempo sem data,
uma verdadeira abstracção de objectos nus, imaginários.
Agora veja aqui como a amiga Eliane do blog ,
domingo, 8 de Novembro de 2009
AGRADECIMENTO
que recentemente postaram poemas meus,
ou à minha poesia se referiram.
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clicar no endereço, para aceder ao respectivo blog.
http://lis-costa.blogspot.com . (3)
http://portugalpoetico.blogspot.com
http://suallinda.multiply.com . com pps e música
http://es-adrianalo.blogspot.com
http://anaturezadeshumana.blogspot.com
http://palavramansa.blogspot.com . c/ ilustração
http://lagrimadechuvanomar.blogspot.com
http://fotolog.terra.com.br/marcospiske . c/ilustração
http://mar-la-vento.blogspot.com . com imagem
http://anamarta-anamarta.blogspot.com
http://bxalentejo.blogspot.com
http://mautristeefeio.blogspot.com
http://blogrenatapoesia.blogspot.com
http://rosamarmore.blogspot.com
http://retirodoeden.blogspot.com . c/ ilustração
http://6feira.blogspot.com , biobiografia + poema
A TODOS, O MEU MUITO OBRIGADO.
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
poema àquele azul
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Era um azul vivo branco lilás prateado negro transparente
cor da cor do sol nos olhos cerrados a este mundo.
Era um azul flecha parada movimento estático do mar
cor próxima da cor de quem bendiz o amor.
Era um azul liga fantasma esterco pó d’ alma
cor próxima da cor de quem frita os ossos em bolor.
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em "O Frio dos Dias", esg
sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
POEMA À 5ª SINFONIA DE BEETHOVEN
Beethoven #1
.......................................Ao Artur Neira
Foi da primeira vez
que ouvi o tam tam tam tam de Beethoven
era eu criança ainda nada
conhecia da pomba sob o cipreste
nem de dores de dentes nem da dor de Dante
muito menos da dor diante.
Foi como eu se fosse o estado puro
dum cristal que tinisse no interior duma redoma
de dentro para dentro de si próprio
de dentro para dentro do próprio cristal
da primeira vez que ouvi Beethoven
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era eu criança ainda nada conhecia dos pátios de Granada
nem de ananases redondos do Vietnam,
só sabia um pouco do sabor do sol e do sal
que trinta anos mais tarde em Londres
descobri mediterrânico.
E no entanto
o sangue acendeu-se-me de pólvora
– uma catedral cheia de formigas
no sítio dito da habitação da alma,
os músculos retesaram-se-me como a um cro-magnon
meditando um búfalo em Altamira
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e fiquei a vida inteira a imaginar um homem surdo
atulhado em raízes de liamba
a cheirar fumo pelos tímpanos dos olhos.
em Como um Relógio de Areia
domingo, 25 de Outubro de 2009
FLORES DE OUTONO
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Agora vou reclinando o corpo
entre a terra e as estrelas.
O espaço é breve
para a brisa do mar
que ainda soa.
E no entanto,
adormeço
no meu sonho,
sereno de harmonias
.
incendiando o fino pó
da terra
com estas flores violentas,
exíguas, do outono.

